Já não se lê Poesia
- Rita Roquette

- 18 de set. de 2024
- 1 min de leitura

Já não se lê poesia.
Não se sabe se a lua reflecte o sol ou só o fogo,
e a exaustão extingue só o que não se vê
É do fumo…
O activismo da sirene que se houve ao fundo,
de uma ambulância que não sabe o rumo
e mesmo assim leva tudo atrás.
Fumo adentro, voraz.
A indignação é reação inflamatória,
o resultado repetido:
Ofensivo.
Já nem sabemos o que é pátria.
Esventrados até ao tutano:
painéis, minérios, enganos.
Esta História não é nossa,
sem coragem, sem carácter, somos ciganos.
Sem Terra, sem lugar, sem aldeia.
Passageiro.
Tão eloquente, tão sabedor, tão sabe a dor.
Não arde aqui ao lado mas arde dentro.




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