A vida de Alguém é mais que a Tumba onde adormeceu
- Rita Roquette

- 14 de jun. de 2025
- 1 min de leitura
Na continuidade de um discurso do dia de Portugal e de Camões em Lagos...

Ontem foi o dia de nascimento de Fernando Pessoa. Não se falou do seu quotidiano medíocre nem lhe chamaram de coitadinho, não o usaram para defender aqueles que vivem em quartos pequenos e sem condições por esse país fora, nem na dificuldade de crescer num país longínquo e de retornar de barco a Portugal. Apesar de tudo isso ter sido a sua vida, Fernando Pessoa é muito mais do que esses factos.
No dia de Santo António nasceu, e tal como este presenteou-nos com a espiritualidade, plasmou o esotérico e o histórico, ressuscitou personagens, a sensibilidade camponesa, deu sons esdrúxulos à revolução industrial, escreveu por si e por todos nós. Deu-nos imagens de um Portugal seu e de muitos de nós, heterónimos ou não, que identificamos os símbolos e palavras porque vivem na nossa consciência há já gerações. São mitos que no sonho nos preenchem, que nos dão esperança e significado porque são elevados.
Deixou na sua criação uma Humanidade alargada, a possibilidade de sermos muitos em um e de estarmos em Paz com essa multitude.
Se há coisas que podem mudar de há 3 dias para cá que seja a evocação dos aspectos que nos unem e que nos alargam como lugar e não do que nos faz cair na vergonha e na culpa e no remorso.
Não por querermos apagar factos ou fingir que eles não aconteceram mas porque há muito ainda por ser feito e é preciso força de espírito e coragem para lá chegar.
Ao Santo António e ao Fernando Pessoa que perdure o que nos deixaram.




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