Antes de mais nada...desmascara
- Rita Roquette

- 14 de mai. de 2020
- 2 min de leitura
Tiremos ao confinamento do espaço a máscara de humanitarismo, não o é, quem o faz é instigado pela obrigação, preservação ou sobrevivência.
Aos ventiladores tiremos-lhes as máscaras de doutores, são máquinas que nem oxigénio produzem. O oxigénio agradecemo-lo às árvores, ao Sol, às bactérias, a uma atmosfera limpa e capaz de suster 12 biliões de pulmões humanos e uns tantos mais de de animais não humanos.
Os médicos e enfermeiros são os que, por força de um juramento ou compromisso dão a presença e os que têm que gerir um fluxo abundante de pacientes vindos da força motriz do caos medroso difícil de suster e apaziguar. , Há que lhes tirar a máscara mas como quem lhes tira o chapéu.
Desmascare-se os outros tantos tratamentos que estão a ser cozinhados pelas grandes farmacêuticas numa corrida desenfreada para chegarem em primeiro. Alimentam-nos com a ideia ilusória de um fio condutor dourado com o slogan de salvar o mundo inteiro. O que os move é mesmo o dinheiro.
Já agora, tiremos aos videos da Tele-escola as máscaras de educadores. Quem educa as crianças são os pais, quem os rodeia e tem capacidade de os escutar, quem lhes dá Amor e principalmente elas mesmas. Crescem através da experiência física, do questionamento, a tentativa e o erro, a criação e a frustração, o sentido de observação e beleza, a natureza. Dêem lhes uma lupa, uns binóculos e o sentido de presença. Dêem lhes ecrãs com futuro, documentários sãos.
Desmascare-se a privatização das águas puerilmente dita como progresso, louvemos quem sabe encaná-la partilhando irmamente a fonte. Tiremos à garrafinha de plástico a máscara de civismo, é esventrada da terra para esventrar o estômago e intestinos de um alguém da terra, do mar ou do ar.
Às sementes patenteadas tiremos máscara de propriedade intelectual, não são nem nunca serão invenção humana. Já cá estavam com inteligência própria muito antes da nossa chegada e com elas crescemos e aprendemos a propagarmo-nos, a sermos cultura capaz de nos nutrirmos com comida, medicina, história e futuro.
Aos ismos de todos os lados, das terapias aos terapeutas, aos de direita e esquerda, os do campo e os da cidade, dispamos os rótulos porque eles mascaram-nos, já chega de códigos e aprisionamento em barras.
Criativos na diferença mas iguais na essência.
Precisamos de entrar numa nova Era de pessoas capazes de serem filhas de outros como eles, irmãos de todos. Pessoas com qualidades e capazes de as mostrar, pessoas com dificuldades e capazes de as mostrar.
Sem desculpas. Sem culpas. Em paz.




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